quarta-feira, 24 de agosto de 2011

ARTIGO MARILIA ARRAES

Miss: rainha de quê?




Sinto-me especialmente feliz por conseguir me indignar frente a coisas simples e relativamente bem aceitas pela sociedade. Um exemplo são os tradicionais concursos de miss.

Quantas mulheres, ao longo da história, dedicaram suas vidas a combater o machismo, a conquistar o espaço que temos hoje. Mulheres que viveram e enxergaram além do seu tempo e, por isso, foram estigmatizadas, hostilizadas e sofreram todas as "sanções sociais" possíveis.

Hoje, procuramos nos qualificar profissional e intelectualmente. Aprendemos idiomas estrangeiros para alcançar novas culturas e novas oportunidades - não, apenas, por ser obrigação de uma moça fina. Batalhamos, todos os dias, no mercado de trabalho, para receber, no mínimo, o mesmo salário que os homens, ao executar o mesmo trabalho. Brigamos em casa para que nossos companheiros dividam as tarefas domésticas e, consequentemente, compatilhem conosco o "terceiro expediente". No trabalho, elogios e assédio ainda se confundem e as dúvidas sempre pairam sobre quem não se submete. Afinal, é mais fácil encontrar uma subalterna vadia, do que um chefe tarado.

Nosso corpo é só nosso e, por isso, temos que brigar, ainda, com a Igreja e com o Estado, para que compreendam isso e nos permitam cuidar dele como nos convenha. Por falar em corpo, temos mesmo que cuidar dele muito bem, porque há grandes chances de sermos discriminadas, caso estejamos muito distante dos padrões de beleza. Quantas são admiradas por serem chefes de família, por criarem seus filhos e serem mães e pais ao mesmo tempo? Tenho a certeza, também, de que hoje as mães sonham que suas filhas ocupem, em igual quantidade e qualidade, cargos de chefia, diretorias, presidências. Poucas décadas atrás, o principal anseio das mães para felicidade de suas filhas era mais difícil de alcançar: que fizessem um bom casamento (seja lá o que isso significasse), tivessem muitos filhos e fossem felizes para sempre.

Em meio a todo esse contexto, vemos concursos de beleza de todo tipo. Miss disso ou daquilo, musa, garota, rainha, princesa. Desfilam, dançam, respondem abobrinhas, coisas ridículas e medíocres ou, no mínimo, memorizadas e falsamente vomitadas ao microfone. São ridicularizadas, servem de chacota, seja por serem bonitas e terem falado absurdos, seja por não cumprirem com os padrões - locais ou "universais" - de beleza imposto nos concursos. No final, a vencedora ganha uma faixa, um cetro e uma coroa. Acena doce e passivamente à multidão, chora de emoção, agradece, vai embora. Em resumo, representa tudo o que sempre nos tentaram impor e que esbravejamos para não permitir. Aceitam pacificamente discriminação social e racismo evidentes em TODOS esses concursos, e assumem, tacitamente, que a beleza é o que uma mulher pode oferecer de melhor. Afinal, o que mais elas oferecem nesse concurso? Habilidades? Conhecimentos? Cultura?

Esse ano, o Miss Universo acontecerá no Brasil. Para quê? Não precisamos de uma rainha, temos uma presidenta eleita pelo voto direto. Já colocamos a faixa no peito de uma mulher que não é bonita, não é jovem, nem loira, alta e magra. Tem o corpo castigado por lutar pela democracia e pelo povo do seu país. Por não ser doce, dócil, passiva, submissa, tem fama de ser dura, fria, grossa. E, no Brasil governado por esta mulher, tantas outras morrem assassinadas por seus companheiros; morrem de parto ou de complicações por aborto inseguro; são violentadas e exploradas sexualmente; trabalham no campo e na cidade, em casas de família, na informalidade e não têm seus direitos trabalhistas respeitados. Para que uma rainha da beleza, se temos mais de 22 milhões de mulheres chefes de família. Em nossa História, recente e remota, temos tantas mulheres que nos orgulham e nos fazem acreditar que vale à pena lutar por um mundo melhor. Não, definitivamente não precisamos de títulos como esses.

Por tudo isso e em respeito às mulheres do Mundo, eu não assisto ao concurso de Miss. E você?

Marília Arraes, vereadora do Recife pelo PSB



quarta-feira, 20 de julho de 2011

ARTIGO: FLÁVIO CAMPOS NETO

Conjuntura nacional das políticas públicas sobre drogas
por Flávio Campos* para o blog Acerto de Contas


O Brasil vive um momento de frenesi no tocante à questão das drogas. Relembrando o jargão do já saudoso ex-presidente Lula, nunca na história deste país debatemos tanto o tema das drogas como estamos debatendo hoje. Muito embora, existem setores da sociedade que convidem o cidadão à ignorância quando o assunto é droga: Droga, nem pensar, dizem eles.

Digo-lhes o oposto: Drogas, repensar!

Primeiro é preciso deixar claro que esse é um assunto de toda sociedade, pois não há um ser humano que viva hoje sem nenhum tipo de droga. (Para evitarmos confusões sobre concepções do que é droga, adoto a definição da OMS: Substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas produzindo alterações em seu funcionamento).

Seja o vinho na missa, a cerveja no bar, o remédio no hospital ou o café no trabalho, são drogas. Não estou dizendo com isso que devemos tratá-las da mesma forma, devemos tratá-las observando as características de cada uma delas.

Vários fatores foram determinantes para o assunto sair do limbo e da costumeira marginalidade que o envolve, dentre eles os filmes: Cortina de Fumaça de Rodrigo Mac Nivem e Quebrando o Tabu de Fernando Groistein. Ambos mostram a falência do modelo de guerra às drogas adotado em meados do século passado. Milhões foram gastos nessa guerra, muitas vidas foram perdidas e muitas seguem o mesmo caminho. Mas o consumo e a produção de drogas, desde então, não param de crescer. Mesmo assim há quem queira continuar com a política belicosa… Destaco ainda que não podemos declarar guerra a seres sem vida. Logo, a guerra é contra as pessoas que se relacionam com as drogas e são elas que têm morrido paulatinamente nessa batalha sem vencedores.

É preciso deixar claro que muita gente tem lucrado com essa guerra: Políticos, polícia, donos de clínicas, mídia, igrejas… Cada um explora como pode as vítimas dessa guerra e todos se esforçam para tentar justificar o injustificável.

As políticas que estamos adotando sobre o tabaco nos últimos dez anos no Brasil mostram que dá para minimizarmos muito o consumo de substâncias viciantes e, consequentemente, os danos associados, com medidas de controle, como espaços reservados para o consumo, aumento de impostos, proibição de propagandas, dentre outras.

Não podemos achar, dogmaticamente, que a proibição dará conta da questão das drogas sob pena de legitimarmos, com o nosso posicionamento, as mortes em função da proibição.

Pedir que o Estado se responsabilize pelas drogas e crie mecanismos legais de controle sobre a produção, comercialização e distribuição das drogas não pode ser interpretado como apologia, nem mesmo pode ser considerado uma forma de banalizarmos o uso de drogas. Há centenas de medicamentos, como a morfina por exemplo, que a produção é legalizada e nem por isso temos o consumo significativo destas drogas no Brasil. Há inclusive pesquisas que mostram que sociedades permissivas a determinadas substâncias têm menor taxa de pessoas com problemas relacionadas com consumo das mesmas, pois cria-se na sociedade mecanismos de proteção ao uso. Exemplificando melhor: Na França onde o consumo de álcool é elevado temos menores taxas de problemas relacionados ao álcool que em países islâmicos onde o consumo é proibido (a pesquisa encontra-se no livro Dependência Química).

Outro fator importante para o aprofundamento dos debates sobre as drogas são os movimentos sociais intitulados Marcha da Maconha que ano após ano ganha corpo no Brasil. Em 2011 o Supremo Tribunal Federal garantiu o que a Constituição já assegurava: A liberdade de expressão e o direito de reunião.

A decisão do STF foi necessária pois alguns juízes tentaram proibir a Marcha da Maconha sob alegação de crime de apologia mas, mesmo proibida, a Marcha saiu em varias cidades, como em Brasília onde os manifestantes trocaram o termo Maconha por Pamonha ou, como em São Paulo onde os manifestantes foram duramente reprimidos pela polícia comandada pelo PSDB. A repressão violenta em Sampa foi o estopim para a criação das Marchas da Liberdade, mais amplas que agregaram movimentos feministas, de raça e etnia, de melhoria nos transportes, da cultura livre e mais uma série de atores sociais que estão se empoderando das redes sociais virtuais para potencializar as estratégias de luta. (Para saber mais acesse: http://www.marchadaliberdade.org/)

Outro fator de muita relevância para a questão das drogas e, principalmente, as Políticas Públicas Sobre Drogas, é a recente sinalização da presidenta Dilma em financiar comunidades terapêuticas. Após uma movimentação das igrejas, parlamentares, donos de clínicas e gestores reivindicando uma série de ações (Pauta Brasil de Combate as Drogas, futuramente postarei comentários exclusivamente sobre esse documento) sobre a Política Nacional Sobre Drogas.

A sinalização do Governo Federal deixou muitos trabalhadores do campo das drogas apreensivos pois são inúmeros os relatos de tortura e maus tratos nestas instituições, faltam dados científicos que comprovem a eficácia do tratamento (Segundo o Psiquiatra Dartiu Xavier, a internação compulsória em Comunidades Terapêuticas resultam em 95% de “recaídas”), além de existir dentro do SUS e SUAS serviços que podem dar conta da internação, tratamento e acolhimento dos usuários.

Eu gostaria de deixar claro que não sou contra Comunidades Terapêuticas. Sei que há instituições sérias. Mas é preciso separar o “joio do trigo”. É preciso deixar claro que instituições religiosas não devem compor a Rede Pública de Tratamento e/ou Acolhimento. É preciso deixar claro que a abordagem sobre os usuários deve ser complexa e deve adequar o modelo a ser usado de acordo com a demanda do usuário. Não podemos aceitar velhos modelos como os únicos possíveis! A “Bíblia e Enxada” pode ajudar algumas pessoas, mas não pode fazer parte dos serviços oferecidos pelo Estado pois tem como objetivo não o tratamento biopsicosocial, mas sim o “arrebanhamento” de fieis para as mais diversas igrejas. O Estado é laico e assim deve permanecer.

O SUS, por exemplo, tem dispositivos que precisam ser fortalecidos e ampliados. CAPSs, Consultórios de Rua, Casas de Acolhimento Transitório, Leitos para Desintoxicação são os serviços que devem ser priorizados pelo Estado. Historicamente estes dispositivos nunca receberam grandes investimentos e estão sendo abertos à “conta gotas”. Ainda não temos no SUS estes dispositivos em número suficientes para atender toda a população brasileira mas não é porque temos um número insuficiente que devemos dirigir esforços na direção das igrejas e de torturadores.

A questão é complexa. Não será com respostas simplórias ou com o “mais do mesmo” que iremos responder adequadamente às questões relacionadas ao tema. É preciso que cada indivíduo reflita sobre o tema para que possamos criar na sociedade uma nova perspectiva, uma perspectiva baseada no sujeito-droga-sociedade, uma perspectiva baseada na Redução de Danos se contrapondo ao modelo de guerra às drogas.

*Flávio Campos Neto é Redutor de Danos e Conselheiro Estadual Sobre Drogas

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Educação como arma para acabar com divisionismos


Foto: divulgação da internet

A educação durante muito tempo foi meio para práticas sociais segregadoras. A escola, na maioria das vezes não era acessível, seja por causa da dificuldade de localização ou pelo fato de não estar aberta a toda população. A grande massa permanecia por tempo insuficiente nos bancos de uma escola que não agregava influência política e ideológica, desconhecendo a formação ampla para o trabalho, para a cidadania e para a vida em sociedade.

É importante destacar que a educação foi e ainda é objeto de disputa de interesses, por vezes, fazendo disciplinas corroborarem na afirmação de ações políticas, na afirmação de personagens políticos, na afirmação de poderes. Poderes esses, que o maior compromisso é com seus próprios interesses, manipulando o fazer educacional.

A exemplo desse tipo de ação intencional, por volta de 1850, os projetos educacionais, no sudeste, eram marcados pela ação de determinados grupos familiares produtores de café, interessados na manutenção da escravidão. Educavam não os que serviriam, mas os futuros senhores.

Não pensemos, que na atualidade, não vivemos um ambiente escolar extremamente maquiado e maquinado para produzir afirmações de poderes. Um plano escolar voltado para preparar mão de obra sem pensamento crítico. Braços prontos ao labor. Cabeças fracas para o questionamento.

Temos o Poder formando cidadãos para a manutenção do próprio Poder.

Muito mais que pensar no alcance da escola para todos os cidadãos, devemos pensar e ouvir o que diz essa escola e que marcas, que memórias ela deixa em nossas crianças e adolescentes. Do contrário, estaremos condenados a um labirinto, ou pior, a um círculo de acontecimentos lamentavelmente repetidos.

Nos anos 1960 tínhamos um exemplo diferente deste, que buscava afirmar a elite nas instâncias de poder. Nesse ano foi criado no Recife o Movimento de Cultura Popular com o objetivo claro de ampliação da consciência sócio-política da população, nascendo no seio do movimento social, sendo mais tarde apoiado pelo poder público e muito criticado por quem via a educação como mecanismo de afirmação dos poderosos.

Pensar em transformar a sociedade a partir da educação pode soar utópico, mas é a idealização de algo possível, de algo que queremos, ou seja, perfeitamente realizável. Ao garantir a universalidade – na Constituição de 88 – e deixar para trás a velha escola, aquela que apenas prioriza o letramento, inicia-se a jornada para a construção da educação comprometida com o projeto político de transformação social, extinguindo os divisionismos, de modo a tornar a escola um espaço de superação da marginalidade, garantindo a equalização social.

A grande dificuldade na edificação da nova escola é garantir o trabalho diário para que o ambiente escolar promova o reconhecimento da dimensão social do homem, a partir da preparação para a participação efetiva na vida social e cidadania.

Com esses esforços nascerá uma escola que não esteja apenas preocupada em atingir índices educacionais pré-estabelecidos e sim empenhada em promover a superação das desigualdades, e que priorize as relações sociais, estimule à participação, o protagonismo, a democracia, o engajamento social, a preparação para o mundo do trabalho. Além desses papéis, a escola tem o dever de elevar o nível intelectual das massas, com a difusão do conhecimento, focada em obter a fórmula revolucionária para a libertação que garantirá a emancipação do jugo colonialista e dias melhores, um povo melhor, e quiçá governantes melhores.



Márcia Rebeca – Professora de Química
Rodrigo Souza – Acadêmico de História

domingo, 29 de maio de 2011

UM POUCO DE POESIA

BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Machado de Assis

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O MUNDO PEDE SOCORRO

GRAFITTI 350


O mundo começa a viver uma crise climática. Muitos desafios estão sendo expostos para o próximo período. É urgente quebrar as amarras da lógica consumista e buscar meios eficientes para que no futuro haja condições de conter essa escalada da temperatura e mudanças que o clima vêm sofrendo.

Se não houver uma ação real e unificada, dificilmente vamos conseguir salvar o planeta. Se você deixar para o seu vizinho cuidar, talvez ele deixe para você e no final das contas só quem perde são as futuras gerações que já nascem conscientes de que o mundo que elas vão encontrar pela frente será cada vez mais difícil para nele sobreviver.

Por isso quero trazer este debate a tona aqui em nosso blog com um vídeo realizado pela ONG 350 e US Chambler que de forma artística, através do graffiti, retratou como está funcionando o atual sistema planetário.



Chamber.350.org from Hans Hansen on Vimeo.





Frases no final do video:

Frase 1: Cada geração precisa de uma nova revolução (Thomas Jefferson)

Frase 2: Isto é o que a democracia parece

domingo, 10 de abril de 2011

Luciano Ducci abre programação para 4,5 mil jovens, nesta segunda
















O prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, abrirá na segunda-feira (11), às 8h30, no Salão Brasil da Prefeitura, a quarta edição da Semana Jovem de Curitiba. O evento reunirá até 17 de abril, em diferentes espaços da cidade, 4,5 mil participantes de 14 a 29 anos para avaliações e divulgação das atividades e políticas públicas oferecidas na área.

"Com esta programação, fazemos uma mobilização social e trazemos o jovem para dentro da Prefeitura", diz Luciano Ducci. “Ao planejar políticas públicas para garantir o futuro desses jovens devemos contar com a participação deste grupo. Precisamos ouvi-los e definir ações conjuntas para garantir a eficiência das políticas públicas”.

A Semana Jovem é organizada por 12 secretarias municipais que desenvolvem programas voltados para a juventude. Durante sete dias, os jovens participarão de atividades multiculturais. A programação inclui exibição de filmes, rodas de conversa, passeios turísticos e cursos.

Em Curitiba, a população de jovens, com idades entre 15 e 29 anos, representa quase 27% dos moradores. São aproximadamente 482 mil rapazes e moças que estudam, trabalham e desejam viver em uma cidade com oportunidades e boa qualidade de vida.

Participam da Semana Jovem as secretarias municipais da Educação, do Governo Municipal, do Abastecimento, do Esporte, Lazer e Juventude, do Meio Ambiente, do Trabalho e Emprego, da Saúde, Antidrogas, Fundação de Ação Social, Fundação Cultural de Curitiba, Instituto Municipal de Turismo, e Agência Curitiba.

ACOMPANHE A PROGRAMAÇÃO

Segunda-feira (11)
8h30 -
Abertura no Salão Brasil da Prefeitura
14h - exibição de filmes na Cinemateca
16h - palestra Juventude com o secretário Municipal do Esporte, Lazer e Juventude, Marcello Richa
19h - Palestra Empreendedorismo e Vida (Bom Negócio) no Centro de Capacitação da Secretaria Municipal da Educação.

Terça-feira (12)
14h
- exibição de filme na Cinemateca
14h - curso sobre nutrição no Mercado de Orgânicos
18h30 - passeio noturno no Zoológico com alunos do ProJovem Urbano de Curitiba

Quarta-feira (13)
9h -
palestra A Importância do 1º Emprego no Colégio Estadual Santa Cândida, com o secretário municipal do Trabalho e Emprego, Paulo Bracarense.
10h - palestra sobre pontos turísticos na Escola Municipal São Miguel
14h - exibição de filmes na Cinemateca
14h30 - palestra sobre pontos turísticos na Escola Municipal Durival Britto e Silva
19h - palestra do programa Papo Legal no Centro de Capacitação
19h - palestra A Importância do 1º Emprego no Colégio Estadual Santa Cândida, com o secretário municipal do Trabalho e Emprego, Paulo Bracarense

Quinta-feira (14)
8h -
passeio na Linha Turismo, com ônibus jardineira, para os alunos da Escola Municipal São Miguel
13h30 - passeio na Linha Turismo, com ônibus jardineira, para os alunos da Escola Municipal Durival Britto e Silva
19h30 - palestra Sustentabilidade e Responsabilidade Social com o professor Evandro Razzoto, na Associação de Moradores do Parolin

Sexta-feira (15)
14h -
roda de conversa sobre sexualidade e drogas no Centro de Capacitação
19h - encontro ProJovem e EJA no Centro de Capacitação

Sábado (16)
14h -
oficinas Participação Cidadã em escolas do programa Comunidade Escola

Domingo (17)
9h -
Jovem Curitibano na praça Afonso Botelho
14h - Jovem Curitibano na praça Afonso Botelho

REALENGO DO BRASIL


O abraço não é mais aquele!

Como quase todo carioca que não circula pelas bandas mais profundas da Zona Oeste de sua cidade, sei de Realengo por “aquele abraço” que Gilberto Gil lhe dá no famoso samba-exaltação que cantou no exílio de Londres para anunciar sua volta ao Rio de Janeiro. Na época, o músico baiano também pouco conhecia do bairro, além do quartel do Exército onde passou por maus bocados quando lá esteve preso com Caetano Veloso durante a ditadura militar. Realengo, na canção, é metáfora de um Brasil que não perde a alegria nos piores momentos de sua história.

“Alô, alô Realengo!” O Brasil inteiro voltou a te abraçar ontem de um jeito diferente, comovido, solidário à tragédia particular que botou o bairro de novo na boca do povo. O abraço não é mais aquele, mas a intimidade sugerida na letra de Gilberto Gil permanece intacta no choro compungido de quem até hoje nada sabia a respeito de Realengo.

Eu aqui do outro lado da montanha, você aí em São Paulo, a presidente Dilma em Brasília, todo mundo esteve em pensamento nessas últimas 24 horas em Realengo, tentando entender a estupidez que incluiu o Brasil na rota dos massacres em escolas mundo afora.

O lugar que o País inteiro abraçou sem saber direito o que abraçava na cadência bonita do samba tem agora cara, sentimentos, angústia, desespero, dor, tristeza e medo documentados em suas ruas pelos telejornais do planeta. Todo brasileiro conhece um lugar esteticamente parecido em sua cidade, mas nenhum outro subúrbio conhece drama com a dimensão da tragédia da Escola Municipal Tasso da Silveira.

No lugar de “Aquele Abraço”, Realengo me traz agora à cabeça o choro-canção ‘Subúrbio’, de Chico Buarque:

“Lá não tem claro-escuro
A luz é dura
A chapa é quente
Que futuro tem
Aquela gente toda
Perdido em ti
Eu ando em roda
É pau, é pedra
É fim de linha
É lenha, é fogo, é foda
Fala Realengo…”


Extraido do Blog do Tutty Vasques