quinta-feira, 4 de setembro de 2014

ARTIGO - MAIS ATITUDE E MENOS RÓTULOS

Mais atitude e menos rótulos
Por Fabrício Lopes*

Cotidianamente assistimos posicionamentos da nossa população que imputam à quem milita nos espaços políticos a culpa por todos os males que afligem nossa sociedade. Essa descrença e desconfiança não é algo novo e tem suas razões para existir, pois há quem ocupe esses espaços e não fazem por onde merecer nosso respeito.

Infelizmente somos carentes de grandes experiências que possamos visualizar como transformadoras e que pudessem possibilitar aos cidadãos ter um olhar para além do senso comum, que possui o equivoco de responsabilizar apenas os governos por problemas que são responsabilidade de todos.

Vale lembrar que nos casos dos problemas ocasionados exclusivamente por mandatários, essa responsabilidade também está em nossas mãos, afinal quem se convencionou a reclamar e não fiscalizar é o mesmo que o elege.

Estar na política é papel de todo cidadão que se preocupa e se sente preparado para fazer, a partir de sua atuação individual e coletiva, ações que possam promover e desenvolver um Estado funcional que transforme a vida dos cidadãos.

O processo eleitoral que se avizinha traz a tona as mais diversas opiniões sobre os rumos e os desejos do nosso país. Porém, chega um momento em que é preciso questionar até quando os temas que são apresentados são, de fato, importantes para a melhoria das condições e da qualidade de vida coletiva das pessoas. Até mesmo refletir se servem para algo que realize transformações estruturantes, ou se é apenas para buscar polemizar a partir de estigmatizações, que após esse período caem no esquecimento.

A maioria destes assuntos, impostos de maneira enviesada no debate eleitoral, são sobre temas delicados, que precisam ser tratados com mais carinho e cuidado. São essencialmente pautas que dialogam prioritariamente com as garantias dos direitos humanos e minorias.

O resultado é trágico: uma proporção imensa de assuntos que não são tratados com a devida importância fora do período eleitoral, inclusive pela falta de espaço das estruturas existentes, enquanto no período eleitoral se tornam chavões de idolatria, salvação, ódio ou repugnação dos candidatos.

Penso que todos assuntos precisam ser debatidos até seu esgotamento, porém é necessário compreender que sem um Estado adequado a receber essas demandas e mais eficiente na formulação e implementação de políticas públicas, continuaremos a viver uma guerra eleitoreira que contamina e domina o estágio atual da luta política, sem que resultado algum seja alcançado e o Brasil permaneça atrasado em média de 20 anos em relação ao mundo.

É preciso aproveitar esse momento em que estão todos de alguma forma voltados à atividade política e trazer para a discussão assuntos que possam apontar alternativas ao modelo burocrático atual. É necessário buscar um modelo mais flexível, com serviços de melhor qualidade, maior participação popular nas decisões.

Este método que diz tomar decisões pautadas pelos ditos “especialistas” está esgotado. Pagamos o preço de não ter um estado que funcione e nos decepcionamos ainda mais com as produções televisivas dos marqueteiros das campanhas que mostram a nós um país irreal.

É necessário compreender que a Gestão Pública deve ser tratada com mais seriedade e o debate acerca das mudanças estruturais do estado, que deveria estar presente neste momento eleitoral, não se resume à criação ou diminuição de ministério, como tentam pautar os “formadores de opinião”.

Não podemos ver constantemente ser diminuída a importância do trabalho do setor público, como se nele estivesse concentrada todas as mazelas sociais. Importante lembrar que o Poder Público é formado por cidadãos e que no exercício de suas funções também devem se sentir parte das decisões.

Se o Estado é ineficiente, sua força propulsora não é exercida e ele se torna matéria de questionamento por parte daqueles que estimulam a despolitização da população, porém não vivem sem disputar um mandato.

Precisamos enveredar esforços para combater especialmente a corrupção, corrupção em todos os níveis. Desde um taxista que faz o caminho maior com seu passageiro “estranho”, ao grande empreiteiro que se beneficia de obras públicas conquistadas a partir de licitações realizadas com cartas marcadas entre outros empresários do ramo. Do atendente do hospital que coloca seus amigos no inicio da fila de consultas ao mandatário que usa as obras públicas como barganha para a próxima eleição.

Cabe a cada um de nós exercitar cotidianamente nossa capacidade de intervenção na sociedade, ao invés de somente reproduzir aquilo que aparentemente é mais verdadeiro nessa atual enxurrada de informações. Dispomos hoje de um numero maior de instrumentos de participação, fiscalização e transparência, mas ainda insuficientes e de difícil acesso a maioria da população.

Chegou a hora de mudar essa realidade. Todos podemos fazer parte dessa transformação. Participar, agir, conhecer, compreender, socializar, são apenas alguns passos que podemos dar no sentido de construir uma sociedade mais justa para nós mesmo e deixar algum legado positivo para as futuras gerações. O Brasil não aguenta mais esperar!
  

*Fabrício Lopes é Gestor Público

terça-feira, 10 de junho de 2014

ARTIGO - A FORÇA QUE PODE MUDAR O BRASIL

A força que pode mudar o Brasil
Por Fabrício Lopes* e Dalmo Viana**


Por muito tempo o Movimento Estudantil foi o único canal de diálogo e pressão da juventude brasileira para conquistar avanços nos direitos enquanto cidadãos e na defesa do país. A partir da Constituição de 1988 e o advento da inclusão dos conceitos da democracia participativa, além de maior perspectiva no compartilhamento das ações, decisões e transparência do estado, proporcionaram um ambiente onde diversos atores do movimento juvenil pudessem se apropriar de diversas ferramentas e espaços para protagonizar novas lutas.

Com a abertura de novos espaços de discussão e a proposição de novas agendas, diversos movimentos passaram a se organizar e fortalecer. Isso possibilitou a abertura de diversas outras frentes de atuação que hoje inclusive apropriam-se dos meios tecnológicos para difundir suas idéias e conquistar adeptos.

Cada vez é mais visível a participação da juventude nos espaços de criação, desenvolvimento e operação das políticas, porém esse numero ainda é pequeno se entendermos qual o verdadeiro potencial dos nossos jovens e o tamanho de sua participação na sociedade.
Ainda possuímos diversas lutas a realizar, é preciso pensar o tema para além do conformismo de que “um dia já foi pior”. Não podemos deixar ressoar os pensamentos dos porta-vozes do conservadorismo que visualizam os jovens apenas como elementos estáticos e tutelados.

Nos últimos anos, através especialmente das pressões realizadas pelos movimentos juvenis organizados, conquistamos diversos avanços institucionais, entre as quais destacamos a aprovação da Emenda Constitucional nº 65 (PEC da Juventude) que insere e reconhece a juventude como sujeito de direitos na Constituição, a realização de duas Conferências Nacional de Juventude, que apontaram demandas, anseios e desafios através da voz da própria juventude e o Estatuto da Juventude, diploma legal de direitos para os jovens entre 15 e 29 anos, o qual ainda carece de um Sistema Nacional de Juventude com regras claras de financiamento de politicas publicas que estejam em sintonia com as necessidades dos jovens.

Além disso, necessitamos fazer um debate sério em torno do Plano Nacional de Juventude, que possui um texto arcaico em tramitação na Câmara dos Deputados e nem de longe representa as necessidades atuais da nossa juventude.

Esses esforços se fazem necessários para que não coloquemos em risco o que já foi conquistado. Devemos lutar pela construção  instrumentos políticos fortalecidos, para não corrermos o risco de ver direitos deturpados ou engavetados por gestores públicos sem compromisso com a temática. 

A juventude brasileira já esperou demais. Neste momento da nossa história se faz necessária uma grande avaliação e a redefinição de rumos, inclusive no que tange ao papel dos nossos militantes políticos nestas lutas. ‘E preciso criar sintonia real com os movimentos populares, com as administrações de municípios e estados, mas sobretudo dialogar com a grande massa de jovens que não possuem condições e acessos aos espaços formais de organização. 

Ninguém é capaz de resolver tudo sozinho, por conta disso é necessário que esse debate venha a partir da unidade de forças, sempre considerando o potencial estratégico de todos os agentes que constroem cotidianamente a luta em torno do tema. Os processos precisam ser amplos e democráticos, devem estar atrelados às necessidades levantadas pelas vozes das ruas e não aos pensamentos mofados daqueles que só enxergam um pequeno mundo a sua volta. 

A juventude brasileira anseia por agentes políticos que ajudem verdadeiramente na organização e na defesa dos nossos direitos. É preciso romper como atraso em relação a implementação de políticas eficazes a que fomos obrigados a conviver nas últimas décadas. Já basta daqueles que somente se utilizam da juventude como peça publicitária em suas campanhas eleitorais. 

O tempo é de construir uma nova perspectiva junto a essa nova geração de brasileiros, tornando imprescindível a construção de uma agenda propositiva que entenda de fato o jovem como cidadão e dê condições de tratamento e inclusão diante das suas especificidades culturais, sociais, econômicas e territoriais. 

Além da desestruturação do Estado e o conservadorismo político, estamos  contra o tempo, pois os jovens da geração deste bônus demográfico veem escapar muitas possibilidades de constituir uma nova fase de desenvolvimento para o país. Já não bastasse o atraso que estamos relegados, isso pode causar uma prejudicialidade ainda maior no futuro caso não fomentemos ações dinâmicas e coerentes com a realidade que vivenciamos. 

É preciso ousar mais, deixar as ideias fluírem sem medo e investir muito na criatividade do nosso povo. O momento é agora, sem medo do dialogo. Jovens camponeses, indígenas, urbanos, quilombolas. Homens e mulheres, trabalhadores e desempregados, estudantes e analfabetos. Deve ser nosso compromisso estar ao lado dos que mais necessitam nessa hora. Os jovens brasileiros são a força que pode transformar nosso país um lugar melhor para se viver. Que a mudança comece por cada um de nós.


*Fabrício Lopes é Gestor Público e ativista das Políticas de Juventude
**Dalmo Viana é Sociólogo e militante do PSB/SP

terça-feira, 23 de abril de 2013

ARTIGO - UM OLHAR NO FUTURO


Um olhar no futuro
Por Fabrício Lopes* e Thiago Higino**

Ao longo de muitos anos a juventude foi tratada como elemento secundário da política e criticada por sua forma de inovar os conceitos e as práticas. Chamados diversas vezes de inconsequentes, enfrentaram duramente a mentalidade conservadora que não ousava enxergar o quanto futurista são os desejos e anseios deste segmento da sociedade.

Ao invés de reprimir, era necessário investir. Mas os administradores da nação e seus apoiadores viam na juventude apenas mais uma força de trabalho e que sua ocupação deveria se dar apenas pela reprodução dos modelos já instituídos. Não anteviam com o olhar destes jovens que o mundo se aproximava cada vez mais de uma grandiosa transformação no modo de agir, pensar, comunicar e até de se relacionar.

O tempo passou e as oportunidades ficaram, mas o sonho não acabou. Foi necessário a construção de um projeto político popular, que deu ênfase ao tema e ouviu os anseios futurísticos da nossa geração para abrir espaço e compreender que muito tempo já havia sido perdido sem o devido investimento na mola propulsora do desenvolvimento do país.

Extrovertida, dinâmica, comprometida, visionária, comunicativa, entre outras, são características da nossa geração que somente agora conquista os primeiros espaços junto à sociedade e aos entes governamentais. Ainda é possível recuperar o tempo perdido, inovar em conjunto com esta geração de mais de 50 milhões de jovens e, por meio de métodos criativos, permitir que a própria juventude construa a sua história e perspectiva do amanhã.

Há muito trabalho para ser desenvolvido, muitas idéias que precisam ser melhor trabalhadas, muitos corações e mentes a ser convencidos, mas precisamos encurtar as distancias, fazendo das nossas organizações primeiramente instrumentos de luta pela garantia, afirmação e constituição de direitos.

As lutas que se constituíram na busca destes direitos, até a promulgação da Emenda Constitucional que incluiu a juventude na Constituição, deram visibilidade ao tema e nossa geração teve a oportunidade de começar a ocupar espaços anteriormente cristalizados e restrito somente a uma minoria.

Mas isso não é o suficiente, é apenas o inicio da forma do Estado e das pessoas enxergarem o tema como prioritário e não tratar de forma secundária milhões de brasileiros e brasileiras que anseiam a oportunidade de ter acesso, de forma digna, a direitos básicos, como Saúde, Educação, Esporte, Moradia, Transporte, que possuam as características desta nova geração e não carregue os vícios do século passado.

É fundamental o debate intergeracional, mas temos de convir que as gerações que nos antecederam tiveram outras pautas mais pontuais a serem desenvolvidas, fato este que não possibilitou a sua dedicação na busca de afirmar estas posições. Entendemos que é quase impossível falar em conquista de direitos em uma época onde o direito primordial de se expressar era tratado com as mais duras penalidades do período ditatorial vivido pelo Brasil.

O momento agora pede mais empenho e dedicação, sem disputa de vaidades e com o compromisso de erguer e firmar um país que tem crescido vertiginosamente. Porém, agora é a vez de criar políticas que assegurem e mantenham estas conquistas.

Neste sentido, a aprovação do Estatuto da Juventude e a rediscussão sobre o Plano Nacional de Juventude se faz pertinente o quanto antes. Somente assim vamos efetivar o primeiro passo verdadeiramente para constituição de políticas públicas que assegurem à nossa geração direitos anteriormente ceifados e permitam às futuras gerações constituir com sua forma de ver o mundo o modelo de política e país que tanto desejam.

Com as transformações tecnológicas, em espacial, aquelas voltadas aos meios de comunicação, ganhamos a oportunidade de utilizar esses meios a nosso favor, permitindo a essa juventude o acesso a essas tecnologias e utilizando nossas universidades como centro avançado de pesquisa no desenvolvimento de novos instrumentos.

Não é difícil entender que, quando nós investimos na juventude, nós estamos investimos no futuro da humanidade. Esforços não devem ser poupados. É preciso haver sintonia entre o custeio público e as prioridades com olhar no futuro. A retomada já começou e precisamos desde já trabalhar na construção de novos caminhos. Sinta-se convidado.


*Fabricio Lopes é militante do Partido Socialista Brasileiro
**Thiago Higino é Secretário Nacional de Políticas Públicas de Juventude da JSB

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Marcha da Maconha. E eu com isso?


                                             Márcia Rebeca*




A sociedade brasileira passa por intensas transformações -principalmente as da ordem social-  todavia, a intolerância nos ronda. Ocupar às ruas em defesa da descriminalização da maconha é pedir ao Estado que crie mecanismo para controle e produção, e isso não é apologia. É tratar a questão de frente.

Qualquer droga, seja ela qual for (álcool, medicamentos, chás, maconha, etc) tem seus efeitos colaterais. E talvez nenhum seja tão devastador quando a marginalização dos usuários, produzida pela sociedade. O modelo da guerra às drogas, da política proibicionista trata com polícia uma questão de saúde pública, gerando violência, com jovens matando e morrendo. Logo,essa lógica continuará acontecendo enquanto se faz vista grossa ao debate.

Aí perguntamos: a quem serve essa guerra? Eu digo que serve a quem explora a justificativa de que a criminalização dará conta de acabar com o consumo, e não vai. É preciso que haja a regulamentação da cadeia produtiva, com a arrecadação de impostos e estabelecimento de regras e limitações para a venda e o consumo; mas, acima de tudo, é preciso que cada um de nós percebamos que temos sim muito haver com processo histórico e social da Marcha da Maconha, e isso se dará a partir do momento que a sociedade passe a refletir sobre o tema, com responsabilidade e a coragem necessários para transpor as barreiras da intolerância.


* Professora de Química e acadêmica de Ciências Sociais

Foto: Sérgio Neglia

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Eu faço política

Por Márcia Rebeca

“Se aos socialistas se atribui a utopia como pecha, como incapacidade romântica de adequação a uma realidade que se propõe insuperável, deve-se apresentar aos conformistas, das mais variadas ordens, a fatura da distopia.”
Carlos Siqueira




Eu faço política porque o que me cerca me causa desconforto. Por que ver mães em filas gigantescas durante a madrugada, em busca de uma vaga na creche me deixa indignada. Por que acho um absurdo jovens não terem o direito de sonhar com um futuro melhor, pois a educação no nosso país ainda deixa a desejar. Eu poderia ficar aqui horas dizendo por que faço política, mas o motivo mais simples e o mais completo é que faço política por acreditar que posso ser instrumento da mudança, de uma sociedade em que predominam as diferenças para uma sociedade em que todas e todos tenham as mesmas oportunidades.

Para fazer política é imprescindível dedicar-se a uma causa. Às vezes fazemos política e nem nos damos conta. Quer ver? Quem aí nunca discutiu sobre a burocracia no Brasil, sobre como seria mais fácil se não houvesse e defendeu inúmeras teses? Pois é, você fez política ao defender seu posicionamento. Alguns setores da sociedade tem se mobilizado por diversas causas, aqui em Manaus temos exemplos em 2009 quando o prefeito Amazonino decretou a redução da meia-passagem estudantil e centenas de estudantes (eu entre eles) foram as ruas durante dias seguidos em busca de reaver um direito perdido. E em 2010 quando a CMM aprovou a Taxa do Lixo desencadeando um movimento que surgiu nas redes sociais  com o propósito de divulgar o nome dos vereadores que foram favoráveis ao projeto. Em 2011 novamente vimos manifestações contra o aumento da tarifa de transporte, e pelo mundo manifestações pela queda de regimes antidemocráticos.

A mobilização é característica do envolvimento político, nós como cidadãos temos o dever de participar da política, defendendo nossos posicionamentos, que, aliás, é outra característica do envolvimento político. Assumir posição diante dos interesses da sociedade, escolher um lado e defendê-lo. O povo faz isso ao protestar, por exemplo, quando o que lhe incomoda e o que lhe insatisfaz acontecem rotineiramente e reclama. Pude ver isso quando pessoas que não usam o transporte público se solidarizaram aos estudantes, na ocasião da redução da meia-passagem, por entenderem que aquela era uma luta legítima em defesa de direitos.

Ter um ideal e lutar por ele. Lutar com quem tenha como objetivo o desenvolvimento de políticas sociais que sejam capazes de transformar o Brasil num país que ofereça igualdade de oportunidades para todas e todos, para que sejam de fato cidadãos. Isso é fazer política, acreditar, se engajar, defender sua posição, ter um ideal. E você, tem um ideal que o impulsione a lutar? Juntemos nossas mãos e vamos em frente, a mudança virá pela mão da juventude.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Construir mais escolas ou construir mais presídios?


A diminuição da maioridade penal é um tema que mobiliza a opinião pública, motivada quase sempre pela mídia e após ocorrerem crimes, em especial os hediondos, envolvendo jovens menores de 18 anos, como no caso da morte do menino João Hélio. Hoje, a Constituição Federal define como idade mínima para responsabilidade penal, 18 anos.
O debate que gira entorno do tema é muito amplo e algo que preocupa é o fato de que culturalmente existe nos brasileiros (parte da população) um entendimento de que direitos humanos em caso de assassinatos não devem ser respeitados. Para esta parcela da população, respeitá-los, é desrespeitar as vítimas, esquecendo o direito a justiça. Mas não seria o jovem agressor uma primeira vítima? Em muitos caos sim. E aqui é a opinião de uma pessoa que teve um avô e dois primos assassinados em assaltos. Sempre penso se os que cometeram os crimes tiveram as mesmas oportunidades que eu de estudar em uma boa escola, ter acesso a cultura, esporte, lazer. Lembro que um dos assassinos dos meus primos disse que roubava porque ninguém lhe dava emprego.
Será quem um jovem que cometeu crimes é irrecuperável? O que o levou a criminalidade? Os jovens figuram na criminalidade como vítimas ou infratores como mostra o levantamento realizado pelo Ministério da Justiça em 2005 ao apontar que os jovens entre 18 e 29 estão entre os principais atores nos registros policiais, logo estão enchendo o sistema de execução penal. Dados do PNAD/IBGE2007 mostram que a taxa de encarceramento juvenil pode chegar até a 10,4 para cada 1000 no caso dos homens. A realidade para esses jovens é um sistema prisional falho e com medidas sócio-educativas que não cuidam para uma nova inserção na sociedade, com dignidade.
Vivemos em uma sociedade na qual, comprovadamente o acesso as oportunidades são desiguais, o consumismo é exacerbado e estimulado pela mídia, os jovens expostos a vulnerabilidade. Será que diminuir a maioridade penal resolverá o problema da criminalidade juvenil, ou apenas varrerá para baixo do tapete um problema maior?
Os esforços no enfrentamento à violência e a criminalidade devem estar atrelados a políticas sociais, para que mais jovens estejam nos bancos das escolas, recebendo educação de qualidade, acesso a cultura e lazer, e não apenas ocupando seu tempo. As políticas sociais devem atuar para que os jovens tenham uma visão cidadã da sociedade, com formação completa de direitos e deveres, preparação para conflitos, e maior chance de sociabilização através de oportunidades de trabalho, cultura e lazer. Essas ações são o caminho para a diminuição dos problemas de violência e criminalidade juvenil, reforçando valores democráticos, participação e desconstruindo preconceitos.
Cuidar é melhor que punir.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

ARTIGO MARILIA ARRAES

Miss: rainha de quê?




Sinto-me especialmente feliz por conseguir me indignar frente a coisas simples e relativamente bem aceitas pela sociedade. Um exemplo são os tradicionais concursos de miss.

Quantas mulheres, ao longo da história, dedicaram suas vidas a combater o machismo, a conquistar o espaço que temos hoje. Mulheres que viveram e enxergaram além do seu tempo e, por isso, foram estigmatizadas, hostilizadas e sofreram todas as "sanções sociais" possíveis.

Hoje, procuramos nos qualificar profissional e intelectualmente. Aprendemos idiomas estrangeiros para alcançar novas culturas e novas oportunidades - não, apenas, por ser obrigação de uma moça fina. Batalhamos, todos os dias, no mercado de trabalho, para receber, no mínimo, o mesmo salário que os homens, ao executar o mesmo trabalho. Brigamos em casa para que nossos companheiros dividam as tarefas domésticas e, consequentemente, compatilhem conosco o "terceiro expediente". No trabalho, elogios e assédio ainda se confundem e as dúvidas sempre pairam sobre quem não se submete. Afinal, é mais fácil encontrar uma subalterna vadia, do que um chefe tarado.

Nosso corpo é só nosso e, por isso, temos que brigar, ainda, com a Igreja e com o Estado, para que compreendam isso e nos permitam cuidar dele como nos convenha. Por falar em corpo, temos mesmo que cuidar dele muito bem, porque há grandes chances de sermos discriminadas, caso estejamos muito distante dos padrões de beleza. Quantas são admiradas por serem chefes de família, por criarem seus filhos e serem mães e pais ao mesmo tempo? Tenho a certeza, também, de que hoje as mães sonham que suas filhas ocupem, em igual quantidade e qualidade, cargos de chefia, diretorias, presidências. Poucas décadas atrás, o principal anseio das mães para felicidade de suas filhas era mais difícil de alcançar: que fizessem um bom casamento (seja lá o que isso significasse), tivessem muitos filhos e fossem felizes para sempre.

Em meio a todo esse contexto, vemos concursos de beleza de todo tipo. Miss disso ou daquilo, musa, garota, rainha, princesa. Desfilam, dançam, respondem abobrinhas, coisas ridículas e medíocres ou, no mínimo, memorizadas e falsamente vomitadas ao microfone. São ridicularizadas, servem de chacota, seja por serem bonitas e terem falado absurdos, seja por não cumprirem com os padrões - locais ou "universais" - de beleza imposto nos concursos. No final, a vencedora ganha uma faixa, um cetro e uma coroa. Acena doce e passivamente à multidão, chora de emoção, agradece, vai embora. Em resumo, representa tudo o que sempre nos tentaram impor e que esbravejamos para não permitir. Aceitam pacificamente discriminação social e racismo evidentes em TODOS esses concursos, e assumem, tacitamente, que a beleza é o que uma mulher pode oferecer de melhor. Afinal, o que mais elas oferecem nesse concurso? Habilidades? Conhecimentos? Cultura?

Esse ano, o Miss Universo acontecerá no Brasil. Para quê? Não precisamos de uma rainha, temos uma presidenta eleita pelo voto direto. Já colocamos a faixa no peito de uma mulher que não é bonita, não é jovem, nem loira, alta e magra. Tem o corpo castigado por lutar pela democracia e pelo povo do seu país. Por não ser doce, dócil, passiva, submissa, tem fama de ser dura, fria, grossa. E, no Brasil governado por esta mulher, tantas outras morrem assassinadas por seus companheiros; morrem de parto ou de complicações por aborto inseguro; são violentadas e exploradas sexualmente; trabalham no campo e na cidade, em casas de família, na informalidade e não têm seus direitos trabalhistas respeitados. Para que uma rainha da beleza, se temos mais de 22 milhões de mulheres chefes de família. Em nossa História, recente e remota, temos tantas mulheres que nos orgulham e nos fazem acreditar que vale à pena lutar por um mundo melhor. Não, definitivamente não precisamos de títulos como esses.

Por tudo isso e em respeito às mulheres do Mundo, eu não assisto ao concurso de Miss. E você?

Marília Arraes, vereadora do Recife pelo PSB



quarta-feira, 20 de julho de 2011

ARTIGO: FLÁVIO CAMPOS NETO

Conjuntura nacional das políticas públicas sobre drogas
por Flávio Campos* para o blog Acerto de Contas


O Brasil vive um momento de frenesi no tocante à questão das drogas. Relembrando o jargão do já saudoso ex-presidente Lula, nunca na história deste país debatemos tanto o tema das drogas como estamos debatendo hoje. Muito embora, existem setores da sociedade que convidem o cidadão à ignorância quando o assunto é droga: Droga, nem pensar, dizem eles.

Digo-lhes o oposto: Drogas, repensar!

Primeiro é preciso deixar claro que esse é um assunto de toda sociedade, pois não há um ser humano que viva hoje sem nenhum tipo de droga. (Para evitarmos confusões sobre concepções do que é droga, adoto a definição da OMS: Substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas produzindo alterações em seu funcionamento).

Seja o vinho na missa, a cerveja no bar, o remédio no hospital ou o café no trabalho, são drogas. Não estou dizendo com isso que devemos tratá-las da mesma forma, devemos tratá-las observando as características de cada uma delas.

Vários fatores foram determinantes para o assunto sair do limbo e da costumeira marginalidade que o envolve, dentre eles os filmes: Cortina de Fumaça de Rodrigo Mac Nivem e Quebrando o Tabu de Fernando Groistein. Ambos mostram a falência do modelo de guerra às drogas adotado em meados do século passado. Milhões foram gastos nessa guerra, muitas vidas foram perdidas e muitas seguem o mesmo caminho. Mas o consumo e a produção de drogas, desde então, não param de crescer. Mesmo assim há quem queira continuar com a política belicosa… Destaco ainda que não podemos declarar guerra a seres sem vida. Logo, a guerra é contra as pessoas que se relacionam com as drogas e são elas que têm morrido paulatinamente nessa batalha sem vencedores.

É preciso deixar claro que muita gente tem lucrado com essa guerra: Políticos, polícia, donos de clínicas, mídia, igrejas… Cada um explora como pode as vítimas dessa guerra e todos se esforçam para tentar justificar o injustificável.

As políticas que estamos adotando sobre o tabaco nos últimos dez anos no Brasil mostram que dá para minimizarmos muito o consumo de substâncias viciantes e, consequentemente, os danos associados, com medidas de controle, como espaços reservados para o consumo, aumento de impostos, proibição de propagandas, dentre outras.

Não podemos achar, dogmaticamente, que a proibição dará conta da questão das drogas sob pena de legitimarmos, com o nosso posicionamento, as mortes em função da proibição.

Pedir que o Estado se responsabilize pelas drogas e crie mecanismos legais de controle sobre a produção, comercialização e distribuição das drogas não pode ser interpretado como apologia, nem mesmo pode ser considerado uma forma de banalizarmos o uso de drogas. Há centenas de medicamentos, como a morfina por exemplo, que a produção é legalizada e nem por isso temos o consumo significativo destas drogas no Brasil. Há inclusive pesquisas que mostram que sociedades permissivas a determinadas substâncias têm menor taxa de pessoas com problemas relacionadas com consumo das mesmas, pois cria-se na sociedade mecanismos de proteção ao uso. Exemplificando melhor: Na França onde o consumo de álcool é elevado temos menores taxas de problemas relacionados ao álcool que em países islâmicos onde o consumo é proibido (a pesquisa encontra-se no livro Dependência Química).

Outro fator importante para o aprofundamento dos debates sobre as drogas são os movimentos sociais intitulados Marcha da Maconha que ano após ano ganha corpo no Brasil. Em 2011 o Supremo Tribunal Federal garantiu o que a Constituição já assegurava: A liberdade de expressão e o direito de reunião.

A decisão do STF foi necessária pois alguns juízes tentaram proibir a Marcha da Maconha sob alegação de crime de apologia mas, mesmo proibida, a Marcha saiu em varias cidades, como em Brasília onde os manifestantes trocaram o termo Maconha por Pamonha ou, como em São Paulo onde os manifestantes foram duramente reprimidos pela polícia comandada pelo PSDB. A repressão violenta em Sampa foi o estopim para a criação das Marchas da Liberdade, mais amplas que agregaram movimentos feministas, de raça e etnia, de melhoria nos transportes, da cultura livre e mais uma série de atores sociais que estão se empoderando das redes sociais virtuais para potencializar as estratégias de luta. (Para saber mais acesse: http://www.marchadaliberdade.org/)

Outro fator de muita relevância para a questão das drogas e, principalmente, as Políticas Públicas Sobre Drogas, é a recente sinalização da presidenta Dilma em financiar comunidades terapêuticas. Após uma movimentação das igrejas, parlamentares, donos de clínicas e gestores reivindicando uma série de ações (Pauta Brasil de Combate as Drogas, futuramente postarei comentários exclusivamente sobre esse documento) sobre a Política Nacional Sobre Drogas.

A sinalização do Governo Federal deixou muitos trabalhadores do campo das drogas apreensivos pois são inúmeros os relatos de tortura e maus tratos nestas instituições, faltam dados científicos que comprovem a eficácia do tratamento (Segundo o Psiquiatra Dartiu Xavier, a internação compulsória em Comunidades Terapêuticas resultam em 95% de “recaídas”), além de existir dentro do SUS e SUAS serviços que podem dar conta da internação, tratamento e acolhimento dos usuários.

Eu gostaria de deixar claro que não sou contra Comunidades Terapêuticas. Sei que há instituições sérias. Mas é preciso separar o “joio do trigo”. É preciso deixar claro que instituições religiosas não devem compor a Rede Pública de Tratamento e/ou Acolhimento. É preciso deixar claro que a abordagem sobre os usuários deve ser complexa e deve adequar o modelo a ser usado de acordo com a demanda do usuário. Não podemos aceitar velhos modelos como os únicos possíveis! A “Bíblia e Enxada” pode ajudar algumas pessoas, mas não pode fazer parte dos serviços oferecidos pelo Estado pois tem como objetivo não o tratamento biopsicosocial, mas sim o “arrebanhamento” de fieis para as mais diversas igrejas. O Estado é laico e assim deve permanecer.

O SUS, por exemplo, tem dispositivos que precisam ser fortalecidos e ampliados. CAPSs, Consultórios de Rua, Casas de Acolhimento Transitório, Leitos para Desintoxicação são os serviços que devem ser priorizados pelo Estado. Historicamente estes dispositivos nunca receberam grandes investimentos e estão sendo abertos à “conta gotas”. Ainda não temos no SUS estes dispositivos em número suficientes para atender toda a população brasileira mas não é porque temos um número insuficiente que devemos dirigir esforços na direção das igrejas e de torturadores.

A questão é complexa. Não será com respostas simplórias ou com o “mais do mesmo” que iremos responder adequadamente às questões relacionadas ao tema. É preciso que cada indivíduo reflita sobre o tema para que possamos criar na sociedade uma nova perspectiva, uma perspectiva baseada no sujeito-droga-sociedade, uma perspectiva baseada na Redução de Danos se contrapondo ao modelo de guerra às drogas.

*Flávio Campos Neto é Redutor de Danos e Conselheiro Estadual Sobre Drogas

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Educação como arma para acabar com divisionismos


Foto: divulgação da internet

A educação durante muito tempo foi meio para práticas sociais segregadoras. A escola, na maioria das vezes não era acessível, seja por causa da dificuldade de localização ou pelo fato de não estar aberta a toda população. A grande massa permanecia por tempo insuficiente nos bancos de uma escola que não agregava influência política e ideológica, desconhecendo a formação ampla para o trabalho, para a cidadania e para a vida em sociedade.

É importante destacar que a educação foi e ainda é objeto de disputa de interesses, por vezes, fazendo disciplinas corroborarem na afirmação de ações políticas, na afirmação de personagens políticos, na afirmação de poderes. Poderes esses, que o maior compromisso é com seus próprios interesses, manipulando o fazer educacional.

A exemplo desse tipo de ação intencional, por volta de 1850, os projetos educacionais, no sudeste, eram marcados pela ação de determinados grupos familiares produtores de café, interessados na manutenção da escravidão. Educavam não os que serviriam, mas os futuros senhores.

Não pensemos, que na atualidade, não vivemos um ambiente escolar extremamente maquiado e maquinado para produzir afirmações de poderes. Um plano escolar voltado para preparar mão de obra sem pensamento crítico. Braços prontos ao labor. Cabeças fracas para o questionamento.

Temos o Poder formando cidadãos para a manutenção do próprio Poder.

Muito mais que pensar no alcance da escola para todos os cidadãos, devemos pensar e ouvir o que diz essa escola e que marcas, que memórias ela deixa em nossas crianças e adolescentes. Do contrário, estaremos condenados a um labirinto, ou pior, a um círculo de acontecimentos lamentavelmente repetidos.

Nos anos 1960 tínhamos um exemplo diferente deste, que buscava afirmar a elite nas instâncias de poder. Nesse ano foi criado no Recife o Movimento de Cultura Popular com o objetivo claro de ampliação da consciência sócio-política da população, nascendo no seio do movimento social, sendo mais tarde apoiado pelo poder público e muito criticado por quem via a educação como mecanismo de afirmação dos poderosos.

Pensar em transformar a sociedade a partir da educação pode soar utópico, mas é a idealização de algo possível, de algo que queremos, ou seja, perfeitamente realizável. Ao garantir a universalidade – na Constituição de 88 – e deixar para trás a velha escola, aquela que apenas prioriza o letramento, inicia-se a jornada para a construção da educação comprometida com o projeto político de transformação social, extinguindo os divisionismos, de modo a tornar a escola um espaço de superação da marginalidade, garantindo a equalização social.

A grande dificuldade na edificação da nova escola é garantir o trabalho diário para que o ambiente escolar promova o reconhecimento da dimensão social do homem, a partir da preparação para a participação efetiva na vida social e cidadania.

Com esses esforços nascerá uma escola que não esteja apenas preocupada em atingir índices educacionais pré-estabelecidos e sim empenhada em promover a superação das desigualdades, e que priorize as relações sociais, estimule à participação, o protagonismo, a democracia, o engajamento social, a preparação para o mundo do trabalho. Além desses papéis, a escola tem o dever de elevar o nível intelectual das massas, com a difusão do conhecimento, focada em obter a fórmula revolucionária para a libertação que garantirá a emancipação do jugo colonialista e dias melhores, um povo melhor, e quiçá governantes melhores.



Márcia Rebeca – Professora de Química
Rodrigo Souza – Acadêmico de História

domingo, 29 de maio de 2011

UM POUCO DE POESIA

BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Machado de Assis

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O MUNDO PEDE SOCORRO

GRAFITTI 350


O mundo começa a viver uma crise climática. Muitos desafios estão sendo expostos para o próximo período. É urgente quebrar as amarras da lógica consumista e buscar meios eficientes para que no futuro haja condições de conter essa escalada da temperatura e mudanças que o clima vêm sofrendo.

Se não houver uma ação real e unificada, dificilmente vamos conseguir salvar o planeta. Se você deixar para o seu vizinho cuidar, talvez ele deixe para você e no final das contas só quem perde são as futuras gerações que já nascem conscientes de que o mundo que elas vão encontrar pela frente será cada vez mais difícil para nele sobreviver.

Por isso quero trazer este debate a tona aqui em nosso blog com um vídeo realizado pela ONG 350 e US Chambler que de forma artística, através do graffiti, retratou como está funcionando o atual sistema planetário.



Chamber.350.org from Hans Hansen on Vimeo.





Frases no final do video:

Frase 1: Cada geração precisa de uma nova revolução (Thomas Jefferson)

Frase 2: Isto é o que a democracia parece

domingo, 10 de abril de 2011

Luciano Ducci abre programação para 4,5 mil jovens, nesta segunda
















O prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, abrirá na segunda-feira (11), às 8h30, no Salão Brasil da Prefeitura, a quarta edição da Semana Jovem de Curitiba. O evento reunirá até 17 de abril, em diferentes espaços da cidade, 4,5 mil participantes de 14 a 29 anos para avaliações e divulgação das atividades e políticas públicas oferecidas na área.

"Com esta programação, fazemos uma mobilização social e trazemos o jovem para dentro da Prefeitura", diz Luciano Ducci. “Ao planejar políticas públicas para garantir o futuro desses jovens devemos contar com a participação deste grupo. Precisamos ouvi-los e definir ações conjuntas para garantir a eficiência das políticas públicas”.

A Semana Jovem é organizada por 12 secretarias municipais que desenvolvem programas voltados para a juventude. Durante sete dias, os jovens participarão de atividades multiculturais. A programação inclui exibição de filmes, rodas de conversa, passeios turísticos e cursos.

Em Curitiba, a população de jovens, com idades entre 15 e 29 anos, representa quase 27% dos moradores. São aproximadamente 482 mil rapazes e moças que estudam, trabalham e desejam viver em uma cidade com oportunidades e boa qualidade de vida.

Participam da Semana Jovem as secretarias municipais da Educação, do Governo Municipal, do Abastecimento, do Esporte, Lazer e Juventude, do Meio Ambiente, do Trabalho e Emprego, da Saúde, Antidrogas, Fundação de Ação Social, Fundação Cultural de Curitiba, Instituto Municipal de Turismo, e Agência Curitiba.

ACOMPANHE A PROGRAMAÇÃO

Segunda-feira (11)
8h30 -
Abertura no Salão Brasil da Prefeitura
14h - exibição de filmes na Cinemateca
16h - palestra Juventude com o secretário Municipal do Esporte, Lazer e Juventude, Marcello Richa
19h - Palestra Empreendedorismo e Vida (Bom Negócio) no Centro de Capacitação da Secretaria Municipal da Educação.

Terça-feira (12)
14h
- exibição de filme na Cinemateca
14h - curso sobre nutrição no Mercado de Orgânicos
18h30 - passeio noturno no Zoológico com alunos do ProJovem Urbano de Curitiba

Quarta-feira (13)
9h -
palestra A Importância do 1º Emprego no Colégio Estadual Santa Cândida, com o secretário municipal do Trabalho e Emprego, Paulo Bracarense.
10h - palestra sobre pontos turísticos na Escola Municipal São Miguel
14h - exibição de filmes na Cinemateca
14h30 - palestra sobre pontos turísticos na Escola Municipal Durival Britto e Silva
19h - palestra do programa Papo Legal no Centro de Capacitação
19h - palestra A Importância do 1º Emprego no Colégio Estadual Santa Cândida, com o secretário municipal do Trabalho e Emprego, Paulo Bracarense

Quinta-feira (14)
8h -
passeio na Linha Turismo, com ônibus jardineira, para os alunos da Escola Municipal São Miguel
13h30 - passeio na Linha Turismo, com ônibus jardineira, para os alunos da Escola Municipal Durival Britto e Silva
19h30 - palestra Sustentabilidade e Responsabilidade Social com o professor Evandro Razzoto, na Associação de Moradores do Parolin

Sexta-feira (15)
14h -
roda de conversa sobre sexualidade e drogas no Centro de Capacitação
19h - encontro ProJovem e EJA no Centro de Capacitação

Sábado (16)
14h -
oficinas Participação Cidadã em escolas do programa Comunidade Escola

Domingo (17)
9h -
Jovem Curitibano na praça Afonso Botelho
14h - Jovem Curitibano na praça Afonso Botelho

REALENGO DO BRASIL


O abraço não é mais aquele!

Como quase todo carioca que não circula pelas bandas mais profundas da Zona Oeste de sua cidade, sei de Realengo por “aquele abraço” que Gilberto Gil lhe dá no famoso samba-exaltação que cantou no exílio de Londres para anunciar sua volta ao Rio de Janeiro. Na época, o músico baiano também pouco conhecia do bairro, além do quartel do Exército onde passou por maus bocados quando lá esteve preso com Caetano Veloso durante a ditadura militar. Realengo, na canção, é metáfora de um Brasil que não perde a alegria nos piores momentos de sua história.

“Alô, alô Realengo!” O Brasil inteiro voltou a te abraçar ontem de um jeito diferente, comovido, solidário à tragédia particular que botou o bairro de novo na boca do povo. O abraço não é mais aquele, mas a intimidade sugerida na letra de Gilberto Gil permanece intacta no choro compungido de quem até hoje nada sabia a respeito de Realengo.

Eu aqui do outro lado da montanha, você aí em São Paulo, a presidente Dilma em Brasília, todo mundo esteve em pensamento nessas últimas 24 horas em Realengo, tentando entender a estupidez que incluiu o Brasil na rota dos massacres em escolas mundo afora.

O lugar que o País inteiro abraçou sem saber direito o que abraçava na cadência bonita do samba tem agora cara, sentimentos, angústia, desespero, dor, tristeza e medo documentados em suas ruas pelos telejornais do planeta. Todo brasileiro conhece um lugar esteticamente parecido em sua cidade, mas nenhum outro subúrbio conhece drama com a dimensão da tragédia da Escola Municipal Tasso da Silveira.

No lugar de “Aquele Abraço”, Realengo me traz agora à cabeça o choro-canção ‘Subúrbio’, de Chico Buarque:

“Lá não tem claro-escuro
A luz é dura
A chapa é quente
Que futuro tem
Aquela gente toda
Perdido em ti
Eu ando em roda
É pau, é pedra
É fim de linha
É lenha, é fogo, é foda
Fala Realengo…”


Extraido do Blog do Tutty Vasques

sábado, 12 de março de 2011

ANO INTERNACIONAL DA JUVENTUDE

Ainda não terminou!
O Ano Internacional da Juventude lançado em 12 de agosto de 2010 continua vigente e só termina em 11 de agosto 2011, sob o tema Diálogo e Entendimento Mútuo.

A iniciativa da ONU tem por objetivo promover os ideais da paz, do respeito pelos direitos humanos e solidariedade entre gerações, culturas, religiões e civilizações.

Há mais de 1,2 bilhão de pessoas com idades entre 15 e 24 anos no mundo, representando cerca de 18% da população mundial. O Ano Internacional da Juventude apresenta uma oportunidade para destacar as contribuições que os jovens estão fazendo para a sociedade e para promover sua participação plena e efetiva.

Os países em desenvolvimento são o lar de 87% dos jovens que enfrentam dificuldades, como acesso limitado a recursos, saúde, educação, formação, emprego e oportunidades econômicas.

Em um momento em que o mundo enfrenta múltiplas crises que muitas vezes se sobrepõem, investir e estabelecer parcerias com a juventude é fundamental para encontrar soluções sustentáveis. Ao adotar a resolução 64/134 proclamando o Ano, os Estados-Membros da ONU confirmaram a importância que a comunidade internacional dá à integração das questões relacionadas com a juventude nas agendas de desenvolvimento global, regional e nacional. Para orientar os seus esforços durante o ano, a ONU está se concentrando em três grandes objetivos: (1) aumentar o investimento na juventude, (2) aumentar a participação dos jovens e suas parcerias com eles e (3) aumentar a compreensão intercultural entre os jovens.

Assista abaixo ao vídeo produzido especialmente para o lançamento do ano:




A ONU e os jovens

Em 1985, a ONU comemorou o primeiro Ano Internacional da Juventude. Em seu décimo aniversário, a Assembleia Geral aprovou o Programa Mundial de Ação para a Juventude, com a criação de um quadro de políticas e diretrizes para a ação nacional e apoio internacional para melhorar a situação dos jovens. Hoje, o Programa Mundial de Ação para a Juventude desempenha grande papel no desenvolvimento da juventude. Centra-se no reforço das capacidades nacionais da juventude e no aumento da qualidade e quantidade de oportunidades de participação disponíveis para eles.

Jovens e organizações juvenis são incentivados a iniciar e participar de atividades de comemoração do Ano assinando a e-newsletter mensal da ONU “Youth Flash” em www.un.org/youth; fazer download de materiais do site oficial social.un.org/youthyear e participando da consulta mensal no Facebook.com/UNyouthyear.

Diálogo e compreensão mútua

Com tantas demandas conflitantes por recursos escassos, os países muitas vezes não reconhecem plenamente o quão fundamentais os jovens são para as suas economias nacionais, sociedades e democracias – hoje e no futuro – e, consequentemente, fazem poucos investimentos públicos em programas para aproveitar seus recursos produtivos.


terça-feira, 8 de março de 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

CAOS NO TRANSPORTE

"Dever do Estado, direito do cidadão"

O caos no transporte hoje é uma realidade no Brasil. Seja o colapso nas regiões metropolitanas, quando a falta nas regiões mais periféricas.

Um universo de soluções é apresentado diariamente, mas não se efetiva quase nada. A quem serve o estado não administrar bem o transporte e dar concessões que somente usurpam os cidadãos?

Até quando vamos sofrer as conseqüências da urbanóide tupiniquim.

Não dá mais para esconder a realidade.

Abaixo segue uma experiência 100% brasileira e com dinheiro público, que quando bem investido e gerencia do gera resultados concretos e objetivos, resultando na melhora da qualidade de vida da população.



É hora de arregaçar as mangas e fazer de fato o debate da mobilidade urbana/humana, em especial da juventude, que hoje é vitima da falta de acessibilidade para sua locomoção e busca do bem estar.

Sem contar de que falamos tanto em sustentabilidade, mas colocamos mais de 4.000 carros diariamente nas ruas do país sem planejamento algum.

Hora de pensar e repensar.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Eu não roubo pai de família

Ontem, assistindo ao telejornal da noite vi uma reportagem feita por um repórter cinematográfico. Ele filmava a ação de um ladrão de fios de cobre. O ladrão roubava os fios da rede de um viaduto. Ao terminar o "serviço" ele se aproximou do repórter e da câmera e disse: "Sou ladrão. Eu roubo cobre. Eu não sou ladrão que rouba pai de família não." As imagens seguintes eram do viaduto e da passagem de pedestres às escuras.
O ladrão, ao se dirigir ao repórter fez questão de dizer que não roubava pai de família, pois, acredito eu que em sua humilde compreensão roubar pai de família significa roubar pertences que estejam nas mãos de um cidadão que passa na rua.
Não consegue perceber que ao roubar fios de cobre, um bem público neste caso, ele está roubando a si e a muitos outros cidadãos que trabalham para pagar seus impostos. Ele não consegue perceber que um dos maiores prejudicados neste ato é ele mesmo, pois o dinheiro que deverá ser investido para a reposição do fio de cobre roubado poderia ser utilizado por exemplo, em programas de estimulem o aumento da oferta de empregos.
O que é melhor: um benefício imediato em detrimento de um todo, ou um benefício que poderá demorar a chegar mais que durara mais que uma noite?

sábado, 1 de janeiro de 2011

Ano Novo

É só mais uma noite que separa um dia de outro, uma noite que separa um ano de outro. Entretanto, é nesta noite que muitas esperanças são renovadas. Esperança de dias melhores, esperança de vida nova. Mas será que alguém na virada do ano, quando todos e todas fazem suas simpatias na esperança de almejar sonhos (pular 7 ondas, comer romã, lentilha, usar roupa de determinada cor), se pergunta o que está fazendo para mudar esta realidade que tanto criticamos?
Sonhar que no próximo ano a vida mudará, que se terá a esperança de um país mais justo é muito fácil. Sonhar é muito fácil. Colocar o sonho em prática é que é difícil. Muitas vezes o comodismo não nos permite que corramos atrás das mudanças, das melhorias que tanto sonhamos. O que fazemos diariamente é que nos levará a dias melhores, onde todas e todos terão igual acesso a educação, saúde, esporte, lazer, inclusão digital. Esse país que sonhamos não deve ficar só nos nossos corações e mentes, ele tem que se tornar real.  Por isso, tenha fé, creia, confie, tenha ânimo e persistência, insista no sonho, por você, pelo outro e por um país. Que tal nos juntarmos para colocar em prática esse sonho de uma país de igualdade para todas e todos?
Feliz 2011

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

PROGRAMA QUARTO MUNDO

Canal Universitário de São Paulo
PROGRAMA QUARTO MUNDO - PPJ

Hoje, sexta dia 19, estreia a nova série do programa Quarto Mundo sobre Políticas Públicas para a Juventude, às 18h30 no Canal Universitário.

O convidado é Fabrício Lopes, membro do Conselho Nacional de Juventude.

Quem tiver acesso acesso ao canal 11 da NET , 71 da TVA ou 187 da TVA digital podem assistir tranquilamente.

Caso não estejam em São Paulo, assistam streaming do próprio Canal Universitário (postado abaixo)

Em breve estarão todos disponíveis no Youtube, no canal online da TV USP.








Confira, divulgue e faça suas considerações